Enquanto Wilson Lima se trata em casa com assistência privada, população sofre com colapso na saúde pública do Amazonas
Na última terça-feira (1º), o governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), usou suas redes sociais para informar que foi diagnosticado com Covid-19 e Influenza. Em nota oficial, o governo afirmou que ele está “em bom estado de saúde” e segue em repouso domiciliar, sob orientação médica. No entanto, o episódio, aparentemente comum, escancarou um contraste revoltante entre o conforto do chefe do Executivo estadual e a realidade brutal enfrentada por milhares de amazonenses que dependem do sistema público de saúde.
Enquanto Lima se recupera em casa, amparado por médicos particulares, cenas de desespero e abandono se multiplicam nos corredores dos hospitais públicos. Também na terça-feira, uma mulher identificada como Carmem Garcia publicou um vídeo nas redes sociais denunciando a situação crítica no Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, na zona Leste de Manaus. A denúncia viralizou: já são mais de 26,5 mil visualizações e centenas de comentários indignados.
No vídeo, Carmem relata que pacientes estão largados em macas nos corredores, aguardando por atendimento e leitos em condições que beiram o desumano. “Os pacientes estão jogados nos corredores, sem remédios, sem médicos e sem salários para os enfermeiros. Estão todos esperando exames, e nada acontece”, afirmou ela, visivelmente abalada.
Entre os casos citados está o de seu pai, levado à unidade com sintomas de infarto. Mesmo com pressão arterial elevada e em condição de risco, ele seguia sem qualquer medicação ou atendimento especializado. “Não é um caso isolado. A fila não tem fim e as pessoas continuam esperando”, desabafou Carmem, denunciando o que chamou de colapso total da saúde pública.
A repercussão do vídeo evidencia a crescente insatisfação da população com a gestão de Wilson Lima, especialmente no setor da saúde. Nos comentários, internautas denunciam a negligência, a superlotação crônica e a falta de investimentos no atendimento básico da rede pública.
A cena, infelizmente, não é nova. Nos últimos anos, a saúde do Amazonas passou por sucessivos momentos de colapso, agravados pela pandemia e pela má gestão dos recursos públicos. O contraste entre a tranquilidade do governador em repouso médico e o sofrimento da população que agoniza nos corredores dos hospitais escancara a desigualdade no acesso à saúde — e expõe a face de um governo que parece distante da realidade de quem deveria representar.
Diante disso, a pergunta que ecoa nas redes sociais é simples, mas urgente: quem cuida de quem não pode pagar por um médico particular? Enquanto essa resposta não vier acompanhada de ações concretas, a crise no sistema de saúde do Amazonas seguirá cobrando vidas — em silêncio, nos corredores e longe dos holofotes das redes oficiais.
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