Câncer de próstata: vida sexual ativa pode estar associada a menor risco da doença
câncer de próstata é o segundo tipo mais diagnosticado entre homens no mundo, atrás apenas do câncer de pulmão. No Brasil, oito homens recebem o diagnóstico da doença a cada hora. Diante desses números, pesquisadores têm investigado possíveis fatores de proteção, e a frequência da ejaculação tem sido um dos pontos analisados.
Uma revisão científica que reuniu estudos publicados nos últimos 33 anos apontou que, em sete de 11 pesquisas avaliadas, homens com maior frequência de ejaculação apresentaram menor risco de desenvolver câncer de próstata. Apesar disso, os especialistas alertam que os resultados ainda não são conclusivos.
O que dizem os estudos
Um dos levantamentos mais citados, conduzido pela Harvard University, nos Estados Unidos, indicou que homens que ejaculavam 21 vezes ou mais por mês tinham risco 31% menor de desenvolver câncer de próstata em comparação com aqueles que relataram de quatro a sete ejaculações mensais ao longo da vida.
Pesquisa realizada na Austrália encontrou resultado semelhante: homens que ejaculavam de cinco a sete vezes por semana tiveram 36% menos chance de receber o diagnóstico antes dos 70 anos, em comparação com aqueles que relataram menor frequência.
Outros estudos apontam efeitos mais modestos, sugerindo que mais de quatro ejaculações por mês já poderiam estar associadas a algum benefício, dependendo da faixa etária.
Idade pode influenciar
A relação entre ejaculação e risco de câncer parece variar conforme a idade. Em algumas pesquisas, o possível efeito protetor foi observado principalmente entre homens de 20 a 39 anos ou a partir dos 50 anos. Em outros casos, a frequência na adolescência, período em que a próstata ainda está em desenvolvimento, foi associada ao risco décadas depois.
Essas diferenças tornam difícil estabelecer uma recomendação geral válida para todos.
Possíveis explicações
Embora não exista consenso, cientistas levantam algumas hipóteses para explicar a possível relação. A ejaculação poderia ajudar a eliminar substâncias potencialmente nocivas acumuladas na próstata, reduzir inflamações ou estimular o sistema imunológico.
Outro ponto analisado é o papel da testosterona, principal hormônio masculino. Estudos mais recentes indicam que níveis baixos de testosterona podem estar associados a maior risco de câncer de próstata, ao contrário do que se pensava no passado. Homens com maior frequência de ejaculação costumam apresentar níveis mais elevados do hormônio, o que pode influenciar os resultados.
Limitações e cautela
Especialistas destacam que a maioria das pesquisas se baseia em relatos dos próprios participantes sobre sua vida sexual, muitas vezes relembrando hábitos de décadas anteriores. Isso pode gerar imprecisões.
Além disso, fatores como estilo de vida, prática de exercícios, peso corporal e saúde geral também influenciam o risco de câncer. Homens sexualmente mais ativos podem, por exemplo, ter hábitos mais saudáveis, o que poderia explicar parte da associação observada.
Benefícios vão além da próstata
Independentemente da relação direta com o câncer, a atividade sexual regular já é associada a benefícios para o coração, o sono, o humor e o sistema imunológico.
Apesar dos indícios positivos, médicos reforçam que a prevenção do câncer de próstata deve incluir acompanhamento regular, especialmente a partir dos 50 anos — ou antes, em casos de histórico familiar. A frequência da ejaculação, por si só, não substitui exames e orientação médica.
*Com informações da BBC News

