Operação prende seis suspeitos de agiotagem e extorsão em Manaus; banco seria usado para lavar dinheiro
Seis pessoas foram presas nesta quinta-feira (12/02), em Manaus, durante uma operação da Polícia Civil que investiga um grupo suspeito de praticar agiotagem e extorsão. Entre os detidos está o dono de um banco que, segundo as investigações, funcionava como fachada para lavagem de dinheiro.
A Justiça autorizou prisões preventivas, quebra de sigilo telefônico e mandados de busca e apreensão. Durante a ação, os policiais recolheram celulares, dinheiro em espécie, computadores, armas e cerca de nove veículos.
A investigação já identificou pelo menos cinco vítimas, incluindo uma servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Servidores públicos eram alvo
De acordo com o delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o grupo era formado por diferentes núcleos de agiotas que tinham como alvo principal servidores públicos, especialmente de tribunais e outros órgãos oficiais do Amazonas.
Uma das vítimas relatou que contraiu um empréstimo inicial de R$ 5 mil, mas a dívida teria aumentado de forma exponencial ao longo do tempo. Segundo as investigações, ela perdeu duas casas e um carro após sofrer ameaças e intimidações.
Em uma das situações apuradas pela polícia, a servidora teria sido abordada no estacionamento do Tribunal de Justiça e forçada a entrar em um veículo com um dos suspeitos. A investigação aponta que o grupo utilizava violência e ameaças constantes para garantir o pagamento das dívidas.
Além disso, os suspeitos também teriam feito ameaças graves contra a vítima e contra veículos oficiais do tribunal.
Lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Civil, Ikaro Michel é apontado como chefe do esquema e proprietário do chamado Banco Life, que teria sido criado para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio das práticas criminosas.
Conforme o delegado, o banco funcionava como uma estrutura para escoar e dissimular valores provenientes da agiotagem e extorsão, utilizando empresas para movimentar grandes quantias em espécie e por meio de transações financeiras.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos veículos, dinheiro, aparelhos eletrônicos e uma arma que estaria escondida sobre uma geladeira.
Defesa e posicionamento
O Tribunal de Justiça do Amazonas informou, em nota, que não irá se manifestar sobre o caso. A defesa de Ikaro Michel declarou que só irá se pronunciar após ter acesso ao inquérito policial. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do grupo.

