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Manaus

Vereador de Manaus é processado por Ludmila após criticar show

O vereador Coronel Rosses (PL), de Manaus (AM), está sendo alvo de uma ação judicial movida pela cantora Ludmilla, que exige R$ 70 mil de indenização por danos morais. Conservador, o parlamentar é acusado de ter violado a honra da artista por utilizar a tribuna da Câmara Municipal de Manaus para afirmar que ela foi à capital amazonense para “aliciar crianças” durante um evento ocorrido em setembro de 2025.

Rosses, por sua vez, sustenta que shows como o de Ludmilla, financiados com dinheiro do contribuinte, não apenas violam os valores da família, como são responsáveis por uma degradação da infância e da juventude, rotulando a performance como um tipo de “entretenimento mórbido”.

Para embasar sua crítica, o vereador ajuizou uma ação popular na qual transcreve trechos da apresentação da cantora, alegando o uso de linguagem inadequada para um evento público aberto a menores. Um dos trechos destacados na petição inicial descreve o momento em que Ludmilla recita o que ela denomina de “poema”.

– E eu vou recitar esse poema agora. Chupa x*****. Chupa, é uma coisa linda, né? Né só? Só não gosta quem não fez. Chupa, e aí? Chupa, é uma coisa linda, né? Já foi piranha, sapatão, veado – diz a cantora no trecho elencado pelo parlamentar.

As críticas de Rosses fundamentam-se na Lei Municipal n° 593, de 11 de junho de 2025, que em seu artigo 1° é taxativa ao vedar a utilização de recursos públicos para a contratação de artistas que, em suas músicas, incentivem a sexualidade ou causem situação de constrangimento.

Rosses denuncia que, embora a lei esteja em pleno vigor, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ainda não a regulamentou, permitindo que a gestão continue gastando em shows vetados pela legislação. O orçamento do Sou Manaus, evento no qual a cantora se apresentou, saltou de R$ 2 milhões para mais de R$ 25 milhões em quatro anos, um aumento de 1.156%.

– Sou a favor de que o cidadão tenha eventos culturais para se divertir, mas não nesse tom chulo e degradante. Além disso, Manaus até hoje não sabe quanto foi pago aos artistas. A lei da transparência não existe no município. O portal que deveria concentrar essas informações, não disponibiliza nada. Na ação popular, a prefeitura, em sua defesa, disse que o cachê dos artistas foi pago com dinheiro de patrocínios – disse.

O vereador, que é policial militar de carreira, afirma que sua postura é estritamente fiscalizatória e que não se curvará ao processo ajuizado pela cantora.

– Apresentarei minha defesa técnica assim que for oficialmente notificado, mas o que realmente importa aqui é o direito do cidadão de saber como o seu dinheiro é gasto. O que desejo saber mesmo é quanto a cantora ganhou de dinheiro público para proferir esse tipo de conteúdo – afirmou o vereador.

A ação popular movida pelo parlamentar exige que a prefeitura e a Manauscult suspendam pagamentos remanescentes e tragam a público todos os contratos e notas de empenho das edições do evento desde 2022, alegando que o “apagão de transparência” impede o controle social sobre os gastos milionários do festival.

Sou Manaus Passo a Paço 2025, realizado entre 5 e 7 de setembro no Centro Histórico da capital amazonense, teve Ludmilla como uma de suas atrações centrais, em um evento que a prefeitura estima ter recebido cerca de 450 mil pessoas. No entanto, a lista completa de cachês permanece sob sigilo, o que tem gerado críticas sobre a priorização de gastos em entretenimento em detrimento de áreas como saúde.

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